SOROCABA - A vitória de Rodrigo Manga no primeiro turno demonstra que a população de Sorocaba confia em sua liderança. No entanto, o prefeito e seus secretários enfrentarão tempos difíceis. A segurança pública deve ser tratada como prioridade máxima. Sorocaba não é mais uma cidade pequena; com quase 800 mil habitantes, é a segunda maior cidade do interior de São Paulo e uma das mais importantes do país. Para manter seu desenvolvimento e garantir uma qualidade de vida adequada aos cidadãos, ações rápidas e eficientes precisam ser implementadas.
A cidade clama por segurança, e esse clamor precisa ser atendido imediatamente. Caso contrário, a confiança que garantiu a reeleição de Manga pode se transformar em frustração e desespero. É hora de agir, de colocar os projetos em prática e devolver à população a tranquilidade que ela merece.
O prefeito Rodrigo Manga prometeu, em campanha, a implantação de novas bases da GCM em diversos pontos da cidade, como Jardim Zulmira, Brigadeiro Tobias, Eden, Parque São Bento, além da convocação de 300 agentes. Atualmente a base do Wanel Ville ainda não cumpre a função a que propunha, justamente por falta de efetivo.
Segurança em colapso: patrulhamento comunitário como solução
Sorocaba está fragilizada em termos de segurança. A criminalidade cresceu, e o medo já se tornou parte do cotidiano dos cidadãos. Em muitos bairros, os moradores estão tentando se organizar por conta própria para tentar resolver o problema da insegurança. Uma das propostas que pode amenizar essa situação é a criação do um patrulhamento comunitário, através da GCM, uma ideia do Cabo Jimi, coordenador do Programa Vizinhança Solidária durante sua campanha. Esse modelo de patrulhamento já demonstrou eficácia em diversas cidades da Europa, Ásia e América do Norte, promovendo uma integração entre a população e as forças de segurança distribuídas de forma adequada e inteligente.
Entretanto, essa proposta ainda não foi implementada em escala suficiente para cobrir todas as áreas de Sorocaba. Mais do que campanhas ou promessas eleitorais, é preciso uma abordagem imediata e com seriedade. O aumento da presença de usuários de drogas nas ruas, o crescimento das invasões a propriedades e o aumento dos furtos revelam que a cidade não pode esperar mais.
Ferros-velhos e o comércio ilegal de cobre: o ciclo vicioso do crime
Outro problema grave enfrentado por Sorocaba é a crescente onda de furtos relacionados ao cobre, metal altamente valorizado no mercado. Os usuários invadem residências, comércios e até instituições públicas em busca de fios de cobre, que são vendidos a ferros-velhos por menos da metade do valor de mercado, tudo para sustentar o vício em drogas. Com o preço do cobre chegando perto de R$ 53,00 por quilo, o incentivo para o crime só aumenta.

A proliferação de ferros-velhos clandestinos, que compram produtos de furto feitos por usuários,
tornou-se a dor de cabeça para moradores de Sorocaba, seja na Zona Oeste, Norte, Leste ou Sul
Esses estabelecimentos se multiplicam graças também ao Programa Facilita SP, que apoia a abertura de pequenas empresas sem muita burocracia. Porém, esse segmento não é uma atividade de baixo risco, muito pelo contrário, pois são construídas, na maioria da vezes entre residências, com risco altíssimo de incêndio. E agora, mesmo aqueles que conseguem o CNPJ e alvará, também tem conseguido a emissão do CLCB - Certificado de Licenciamento do Corpo de Bombeiros - documento esse, fácil de se conseguir com a impressão através da internet, sem que nem mesmo a fiscalização de profissionais do Corpo de Bombeiros seja feita, como já pudemos constatar. O departamento de fiscalização da prefeitura não tem autonomia para alterar para o AVCB. A única solução plausível, seria o próprio Corpo de Bombeiros fiscalizar e negar o CLCB para estabelecimentos desse segmento, já que os mesmos são de altíssimo risco, principalmente de incêndio.
Outra providência urgente, é exigir desse tipo de segmento, todos os alvarás, como o da Vigilância Sanitária (fácil proliferação de focos de larvas de mosquitos da dengue), da CETESB (devido ao grande número de baterias, muitas vezes roubadas, que são armazenadas de forma adequada), AVCB do Corpo de Bombeiros (ao contrário do CLCB, que pode ser emitido pela internet) e Alvará de funcionamento, documentos que deveriam ser obrigatórios para o funcionamento do segmento, mas não são, atualmente.
A falta de legislação específica que regule o comércio de cobre de forma mais rígida agrava a situação. Sem uma lei que proíba a comercialização de cobre sem procedência – seja encapado ou desencapado –, os furtos e as invasões continuarão a crescer. E essa também era uma proposta de trabalho do Cabo Jimi, de combate a esse segmento nocivo para a cidade.
O que se observa é um ciclo vicioso: usuários roubam a ficação de cobre, vendem para ferros-velhos clandestinos, alimentam o vício e voltam a roubar. Enquanto a Câmara Municipal não agir para resolver esse problema, a segurança da cidade continuará em risco. Tal omissão pode ser prejudicial à cidade de Sorocaba.
A sensação de insegurança: moradores reféns em suas próprias casas
O clima de insegurança em Sorocaba tem deixado os moradores em alerta constante. Muitas pessoas já não se sentem seguras para andar pelas ruas à noite ou viajar sem a preocupação de que suas casas serão invadidas. Na Zona Oeste, por exemplo, moradores de bairros como Jardim Zulmira, Vila São Caetano e Jardim Simus têm relatado casos diários de furtos e tentativas de invasão. O cenário é tão crítico que, em alguns casos, os residentes têm saído às ruas com ferramentas como barras de ferro ou pedaços de madeira para tentar defender seu patrimônio, ou a sua rua.
Essa sensação de impotência é ampliada pela falta de efetivo tanto na Polícia Militar quanto na Guarda Civil Municipal (GCM). Moradores de bairros da Zona Norte, como Parque São Bento e Vitória Régia, também relatam medo constante de sair de casa. A falta de policiamento ostensivo, especialmente durante a noite e de madrugada, quando a maioria dos crimes ocorre, tem gerado revolta e incerteza.
Promessas que precisam virar realidade
As promessas estão na mesa. O secretário de segurança pública, Guilherme Derrite, garantiu o aumento do efetivo da Polícia Militar e a ampliação da frota de viaturas, enquanto o prefeito Rodrigo Manga prometeu convocar 300 novos guardas municipais para a GCM e implantar bases em diferentes pontos estratégicos da cidade. Mas só promessas não bastam. O que a população precisa é de ação imediata, com uma distribuição inteligente das viaturas e efetivos nas áreas mais críticas. A cidade não pode mais esperar.
A GCM precisa intensificar o patrulhamento, especialmente à noite, quando os usuários de drogas e criminosos se aproveitam da ausência de policiamento para agir. As operações integradas entre a Polícia Militar, a GCM e os órgãos de fiscalização precisam sair do papel para que a cidade recupere a tranquilidade. Um exemplo disso fica na Zona Oeste, exatamente sob o viaduto da Rua Humberto de Campos, onde dezenas de usuários se reúnem para a "festinha". Outros pontos da via férrea, de responsabilidade, no Wanel Ville e principalmente no jardim Zulmira, também nota-se a presença de um grande número de usuários e em alguns pontos a construção de barracos, sem sequer serem oncomodados. A prefeitura já poderia ter notificado a ALL/Rumo, já que a mesma simplesmente abandonou a via férrea que atravessa a cidade.
O problema dos usuários: um desafio social e de segurança
A situação dos usuários de drogas que vagam pelas ruas de Sorocaba é alarmante. A simples remoção temporária dessas pessoas, oferecendo banho e um prato de comida, através do SOS, não está resolvendo o problema de forma efetiva. Se a abordagem estivesse surtindo efeito, não se veria tantos usuários desocupados em diversos bairros da cidade, como apontam, por exemplo, moradores de regiões como Jardim Zulmira, Vila São Caetano, Jardim Simus, Vila Jardini, entre muitos outros bairros. Em vários pontos da General Carneiro, é possível ver o uso de drogas de forma totalmente livre, sem serem incomodados.
O prefeito Rodrigo Manga precisa urgentemente revisar as estratégias voltadas ao tratamento e reinserção desses indivíduos. O problema é complexo e envolve mais do que medidas paliativas. A falta de um acompanhamento adequado e de políticas públicas efetivas que tratem a raiz do problema – o vício – resulta no aumento do número de dependentes perambulando pelas ruas e cometendo pequenos crimes para sustentar o consumo de drogas.
A revolta da população e o risco de soluções próprias
Em alguns bairros, como Jardim Simus, Jardim Zulmira, Vila São Caetano, entre outros, a situação chegou a um ponto de ruptura. Moradores estão perdendo a paciência com a invasão de usuários em suas casas. Recentemente, uma residência na Rua Bento Ribeiro, que faz junção com outras duas na Av. General Carneiro, foram invadidas, por usuários, desocupados e até mesmo por marginais que cometem furtos sem que ninguém faça nada para impedi-los. A TV Tem/Globo já reportou essa situação, a pedido dos Mediadores do PVS, mas, até agora, não houve ação suficiente por parte das autoridades para resolver o problema. A proprietária do imóvel chegou a fechar portas e janelas com tijolos, mas acabaram arrebentando as paredes para acessar o interior da residência, de onde já foram levados todo tio de material de cobre, telhas, fios e tudo o que podiam carregar para vender. Moradores vizinhos já chegaram a contrair dengue e o cheiro de fiação queimada torna-se insuportável para a vizinhança, além do risco contínuo e da insegurança que oferecem.
Com a sensação de abandono ou omissão por parte do poder público, os moradores começam a cogitar resolver a situação por conta própria, um cenário perigoso que pode gerar consequências ainda mais graves. A prefeitura e as forças de segurança precisam agir imediatamente, antes que a situação saia de controle e algumas zonas da cidade mergulhem em um caos generalizado, principalmente a Zona Norte